#3 Breve nota sobre o “ensaiar-experimentar”
- ensaios_sobreumtriz

- 6 de jul. de 2021
- 2 min de leitura
(Já há quatro meses adentrando o processo de criação do solo “Ensaios sobre um triz”).
-> ‘Ensaio’: palavra que compõem o título e que também configura um mote de exploração corporal, poética e até circundante-filosófica neste fazer (no sentido de uma prática que se questiona enquanto constante gênese).
O ‘ensaiar’-verbo- reverbera em uma ação que (se-) implica num constante experimentar; um circundar dentre questões e argumentos - questões em matéria corpo e em matéria pensamento. / Um ‘versar sobre’, ou até ‘aproximar-se’: testar em espaço-tempo uma maneira ocorrencial de ‘estar’.
‘Ensaia-se’ ou ‘convida-se’ a adentrar um viés de argumentação/movimentação; mais do que a busca por um sentido remate, trata-se de um constante FLERTE diante das possibilidades em lidar com o corpo enquanto proposição movente; ensaiar-experimentar como talvez uma forma de não encerramento explícito e auto-declarado do mover que se imbrica…
Ensaiam-se possiblidades que ao serem flertadas enquanto carne-pensar, fazem-se presentes enquanto argumento em chão: não é tanto um ponto de vista entre bastidores de supostos pontos finais, o ‘ensaiar’, penso eu, coloca-se como flerte constante sobre como caminhar, adensar e explorar uma qualidade que intensifica o existir.
O ‘ensaiar’ e o ‘experimentar’ se conectam justamente por proporem modos de não encerramento (interpretativo) de movereS; são testes de contornos que não solidificam linhas; escavações que valorizam o entre-meio do ato.
Na criação/produção em dança, o 'ensaiar-experimentar' se estabelece a partir de motes propositores de caminhos (caminhos que só se conhecem - se fazem conhecer- ao serem percorridos, obviamente).// Ensaiam-se / experimentam-se: movimentações, portas para ‘estares’, seguimentos de proposição cênica, calotes nos fantasmas criadores e canônicos (que ditam os conceitos acerca do ‘coreografar’, ‘do ‘corpo que dança’, da ‘boa cena’,...); /experimentam-se relações com os públicos, relações com o espaço -> ensaia-se o espaço-tempo como forma de qualidade perceptiva;// ensaia-se um corpo-possível: traz-se a escavação de um mover que se apresenta e que solicita estar.
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No solo “Ensaios sobre um triz”, o corpo experimentado-ensaiado-ensaiante está sob “trizes”, versa sobre ‘trizes’ ; / Flerta-se dentre ensaios que são portas de entrada para possíveis vieses específicos de se averiguar o que é esse ‘triz’ - QUASE- : desde imagens-sensações até ilustrações sequenciais específicas, passando até por um corpo que se indaga enquanto substância - objeto complexo diante de suas estruturas básicas.
O corpo-trizES, por sua vez, ensaia sobre&dentre aflições contemporâneas comuns a alguns/vários corpos (esgotamentos, demandas, ansiedades, evasões…)./ Não à toa venho pensando sobre este solo em construção como um SoloColetivo - que ensaia, coloca em viés de discussão algo partilhado./
Seguimos em flerteS com essas ideias...

Rebeca Tadiello, 06/07/2021.







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