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Breves notas // processos - O mover como prova que se 'está'/ que se esteve -

  • Foto do escritor: ensaios_sobreumtriz
    ensaios_sobreumtriz
  • 28 de out. de 2021
  • 2 min de leitura

Estava eu com alguns resquícios do último ensaio em que revisitei o ‘Ensaios sobre um triz’ - resquícios como um eco de algumas movimentações trabalhadas na elaboração deste solo e que se transformam em algumas reflexões específicas. Meio assim: há o mover e suas implicações entre um sentir, um pensar, um estar que, por vezes, lançam palavras percebidas depois do ensaio, ou no momento do mesmo / o verbo vem como um mover, por vezes.


Desta vez, perpassa algo confuso assim:


Checando ‘cena’ ou ‘recorte artístico’ como uma possível escolha de um mover ‘para’, o mover em corpo presente é argumento de que se esteve./ Non sense (?), mas acontece que, cada proposta a ser vivida enquanto ‘possível dança’ carrega consigo meio que um lampejo, uma ocorrência em corpo de uma escolha possível / um mover que se dá naquele tempo-espaço que a gente confere como ‘cena’ (ou como fissura cotidiana); os meios os quais aquela dança se presentifica (os meios são como imagens num cenário maior - não contornável em totalidade) indicam uma vivência específica e própria de um corpo que se move de um certo modo; esse modo, posto ali, caracteriza um viés subjetivo inserido em cada moldura: cada mover ali discernido e escolhido como proposta dançante é, nas entrecarnes, uma espécie de relato de um corpo que marca sua vivência (aflições, sonhos, vários nadas…). // Quando recorta-se um mover e o propõe como arte, como linguagem, como dança - considerando os radicais de toda movimentação corporal como algo que ‘acontece’- tem-se que o corpo é índice do que se vive/ do que se viveu , o mover em cena é meio que prova viva de cada estar presente, isso equivale a dizer que a experiência proposta como arte é, em alguma camada, um testemunho fresco da relação própria de cada qual com o mundo; o mover recortado torna-se um testemunho de experiências. // Considerando a dificuldade de ‘estar’, ligada às condutas genocidas de representantes políticos e à dificuldade de viver enquanto sujeitos desviantes de condutas esperadas, fica mais fácil atrelar cada mover / cada escolha de mover como uma evidência de sobrevivência; a experiência que nos contorna diz mais sobre a luta por estar do que sobre apenas ‘estar’ - o mover enquanto possível arte é um testemunho dessa guerrilha disfarçada de vida óbvia - é uma prova carnal e argumentativa de que se esteve (ali, aqui - sempre de algum modo) -/ 'prova', pois indica que cada corpo esteve em mundo; 'argumentativa', pois cada corpo está e se move de um certo modo - este ‘como’ qualifica nossas ações e insere posicionamentos (conscientes ou não) diante de contextos. / De um jeito ou de outro, as vivências, as sobrevivências e as experiências são os que nos pertencem radicalmente; os moveres dizem e presentificam cada forma de estado - cada mover proposto emoldura uma forma de estar - são testemunhos e provas de cada relação nossa com as coisas; // Como possível análise, em ‘cena’, nós provamos que passamos por aqui e que temos algo como marca dessa passagem. // Mover é ocorrência e é testemunho de experiência.



R.T; 28/10/2021



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