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#2 Notas sobre o fazer: “Isto é um ensaio para um solo”

  • Foto do escritor: Rebeca Tadiello
    Rebeca Tadiello
  • 3 de jun. de 2021
  • 4 min de leitura

Atualizado: 7 de jun. de 2021



Ensaiar como um circundar... Um circundar que é um objeto de busca – que se volta a si mesmo em algumas ocasiões por justamente remeter as suas próprias maneiras de estar e de comunicar -... O ‘ensaio’ como uma possibilidade de propor cenaS assumindo fissuras entre o que se entende pelas mesmas.


Do francês “essai”, o ‘ensaio é considerado como uma tentativa, uma prova, um processo, um experimento. A palavra ‘ensaio’ remete a várias acepções, dentre elas: 1) o ato de ensaiar (de por à prova, testar) e 2) o gênero literário em prosa livre, no qual um tema relativo é dissertado e discutido sem dívidas com uma formalidade tratante.


Esses são alguns fios condutores que escolhemos para pensar o ‘ensaio’ enquanto proposta de estar em cena, revisitando o que a mesma propõe por vias de convenções estabelecidas. Não apenas redescobrindo a ‘cena’ diante de códigos a serem revistos, mas, muito mais, trazendo o ‘ensaio’ como mostra de processo, a exposição em algum tipo cênico sobre/do (o) desenrolar da construção de uma obra artística; matéria a qual o ensaio se associa a partir das proposições ‘sobre’ e ‘para’ – um ensaio para um solo em dança / um ensaio sobre um solo em dança.


Estudando algumas possíveis traduções criativas entre o ensaio-prosa e o ato de ensaiar (em dança, em artes do corpo), alguns paralelos e motes surgem e apontam relações diante de intracódigos (relações internas) das duas vias. Estes estudos conduzem à proposição de um experimento que é um ensaio, logo: “Isto é um ensaio sobre um solo” é um solo-ensaio dedicado a uma construção em processo, a criação de outro solo, o “Ensaios sobre um triz”.


A partir de experimentações traçadas enquanto motes de interesse para a criação do solo “final”, a ideia é colocar em cena (relativa) o próprio experimentar ensaístico, que é o circundar de um pensamento em corpo-espaço-tempo. Por ‘circundar’, traça-se: o flertar sobre uma proposta de mover, o rodear – voltar-olhar-re-olhar e o seguir de algumas atualizações de moveres postos enquanto experimento; pensamento inicial sobre algo, tentativa de averiguação sobre um possível caminho de entendimento para o performer e para o público.


Este último acompanha esse desenrolar todo, sendo espectador-prova de algo que é posto em experiência cênica e “depositado” neste espaço-tempo de maneira única, irrevogável.

Não deixando de refletir e de versar sobre a própria construção de uma obra em dança, o solo-ensaio abarca um cunho metalinguístico, em que a própria dança é discutida e trazida em discurso ao mesmo tempo em que é posta enquanto fenômeno. Um texto-dança-movido (um signo) que se autorreferencia em tempos e espaços próximos, atuais: afetos, argumentos e materialidades que indicam sobre o fazer artístico em certo contexto; uma linguagem que aponta aos seus próprios processos de constituição (--- descontinuação, abarrotamento, contorno, colapso, vislumbre).


Como valorar a exposição das angústias que aparecem num processo criativo em dança? Como colocar à prova as condições de feitura e aproximação dos “feitos” da arte? Como expor um corpo que versa e apresenta/experiencia (sobre) um algo sendo construído? Como dispor/mostrar em teste cênico alguns motes corporais-coreográficos-biomecânicos e poéticos a serem aprofundados ou descartados, tendo em vista uma futura criação? Como fissurar performance artística e andares habituais?


Essas são algumas indagações que perpassam a proposta de apresentação do solo “Isto é um ensaio para um solo”, criação que marca o início de um processo maior: o desenrolar do projeto “Ensaios sobre um triz- Desenvolvimento autoral partilhado”.

Notas do caderno de criação/ escritas para circundar ideias postas:


--A obra-experimento é o início de um ensaio – a ideia é buscar borrões entre ‘cena sacralizada’ e ‘cena-fenda’, entre o ato performado pactuado enquanto tal e o habitual ( considerado não tão “cênico”, mas que pode ser tão fictício quanto um sci-fi).

--Há uma abordagem convidativa irônica para chamar os olhares alheios – trata-se de uma exposição de uma construção artística em processo, que reverbera questões da própria produção dançante em contexto presente.

--A ironia consiste em afirmar o óbvio revelando uma possível camada fictícia dele, a qual não nos damos conta das reais construções comunicantes que operam de forma ininterrupta.

--O solo é um ‘ensaio para’ é também um ensaio sobre o ensaiar- com um viés metalinguístico; não são os argumentos postos enquanto resoluções, mas sim a vontade e as possibilidades de explorá-los que norteiam a cena.


EXIBIÇÃO/COMPARTILHAMENTO:

  • Mostra de Intérpretes criadores/ Núcleo Pedro Costa - dia 11 de abril , 19h - live facebook e Instagram.

  • Centro da terra : transmissão so vivo , dia 22 de abril de 2021:

Ficha

"Isto é um ensaio para um solo"

Concepção e performance: Rebeca Tadiello

Trilha: Vitor Moreira

Fotografia: Victoria Cavalcante

Sinopse:

"Isto é um ensaio para um solo" é um ensaio/tentativa performada de colocar em cena ideias e moveres que perpassam a construção de uma obra solo ainda em processo de criação. / Cada vez que este solo-ensaio é dançado, novas atualizações cênicas surgem.

Esse solo "ensaístico" se desdobra em algumas cenas que encaminham a construção de um estar, abordando assuntos que estão em vias de discussão, em vias de se colocarem enquanto corpo. O público é, então, convidado para acompanhar um percurso de uma criação em dança.






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